Ficar em casa é uma tentação – o silêncio e a umidade da varanda, o ar bucólico que respiro ao curtir a rede, o som no ipod, e as páginas de um livro. E claro, um café passado na hora completa essa minha Arcádia.
Um dia desses, com uma revista de bons fluidos nas mãos, várias idéias brotaram. Absurdas, de imediato. Analogias entre o tarô e a arquitetura, que vão da planta da casa até o alicerce, dos tijolos até a pintura. Uma amistosa articulação dos naipes.
Nos Maiores, é nítida a ligação entre O Mago e o arquiteto.
Riscos, rabiscos, colocações necessárias e outras não, além dos vários palpites que vão pro papel. Muito depende do gosto do cliente, o casal arcano Imperador e Imperatriz. Sem ela não há vida na obra, o feeling dos cômodos e o futuro aconchego da morada. O Imperador constrói. Arrisca-se como mestre de obras, o engenheiro que supervisiona o empreendimento.
Claro, A SACERDOTISA, a primeira figura feminina, tem papel importante também. Atua na decoração, no combinar das paredes e dos tecidos que serão utilizados. Cortinas e adornos – pilares, por exemplo – que dependem de estudo e intuição para a perfeita colocação. Sem os dois, nada flui.
A magia de morar passa pela sexta lâmina, O Enamorado – escolhas, indecisões, opinião de terceiros, referências. Não dá pra curtir um espaço sem os sentimentos, que dão acesso direto ao patamar de Copas. Viver a casa difere (e muito) de apenas morar dentro dela. É sentir o perfume familiar assim que se chega da rua, perceber aquele algo mais impregnado a cada batente. Ah, as lembranças.
Fontes derivam do Ás de Copas, no prazer de fluir com o som da água. Relaxante, inspirador e romântico para muitos, já que também fazem alusão às estátuas úmidas e lodosas. Aqui cabe a Estrela.
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O dois deixa explícito o amor pela estrutura, a relação apaixonada, o típico desejo de estarem a sós. Dois, em qualquer cômodo.
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Quando deixo de sair, sinto os detalhes – plantas, cadeiras, rede, sofás, gramado, canteiros e bancos. Sempre que posso, driblo programas nada atraentes que solicitam minha presença só pra curtir o entorno. As paredes do refúgio sustentam minha preguiça e me dá inspiração para agregar conhecidos, parentes e paixões. Seriam os tais guás do Feng Shui? Esta é a área dos Amigos, com certeza.
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“Um verdadeiro lar se constrói sem pressa”, ouvi dizer. Justo. Perde-se a conta das tantas vezes que o alicerce e as primeiras paredes são visitadas. Planos e novas idéias que brotam só de olhar pro chão. A promessa do aconchego.
Fontes derivam do Ás de Copas, no prazer de fluir com o som da água. Relaxante, inspirador e romântico para muitos, já que também fazem alusão às estátuas úmidas e lodosas. Aqui cabe a Estrela.
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O dois deixa explícito o amor pela estrutura, a relação apaixonada, o típico desejo de estarem a sós. Dois, em qualquer cômodo.
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Quando deixo de sair, sinto os detalhes – plantas, cadeiras, rede, sofás, gramado, canteiros e bancos. Sempre que posso, driblo programas nada atraentes que solicitam minha presença só pra curtir o entorno. As paredes do refúgio sustentam minha preguiça e me dá inspiração para agregar conhecidos, parentes e paixões. Seriam os tais guás do Feng Shui? Esta é a área dos Amigos, com certeza.
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“Um verdadeiro lar se constrói sem pressa”, ouvi dizer. Justo. Perde-se a conta das tantas vezes que o alicerce e as primeiras paredes são visitadas. Planos e novas idéias que brotam só de olhar pro chão. A promessa do aconchego.
Bases do 4 de Ouros.
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Outra parte importante é a limpeza, claro. Às vezes dando espaço ao novo, o passado caindo por terra e todo aquele papo de alquimia interior: terreno limpo é oportunidade, um sinônimo para liberdade.
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Outra parte importante é a limpeza, claro. Às vezes dando espaço ao novo, o passado caindo por terra e todo aquele papo de alquimia interior: terreno limpo é oportunidade, um sinônimo para liberdade.
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Móveis, tintas, cores. Acomodar cada objeto, pensar em diferentes possibilidades – há, então, uma pontada de Espadas. É bom saber combinar. Não só aludindo à Temperança (que também se encontra na cozinha), mas como numa leitura de cartas: a beleza das estampas sugerindo diferentes presságios. Auspiciosa comparação.
Por vezes a Justiça traduz-se em um ambiente mais clean – o tal Minimalismo que já foi e ainda é moda entre os sensatos – com poucos móveis e mais espaço livre. O justo e o necessário que contribuem para o equilíbrio da morada e do espírito. Na cozinha, Copas e Ouros se misturam. Aqui sim o anjo das ânforas comanda, como na pintura barroca.
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A vida fica mais gostosa com a comida caseira. Não que o fast-food da correria seja ruim, mas utilizar a cozinha evita a monotonia e faz vibrar a energia da casa, sem jamais se comparar ao ritual dos elementos, às panelas próximas borbulhando, ao vapor e à mesa posta. Moderadas combinações. Há quem diga que cozinhar dá trabalho. Deve dar, mas se for com vontade, não cansa muito e nem faz tanta sujeira. O que vale é a intenção, como nas vezes que alguém decide dar uma geral no jardim.
A manutenção não se resume aos móveis internos, mas também aos vasos, à poda dos arbustos e mesmo ao barulho infernal do cortador de grama. Há ainda sentimentos e lembranças de infância, como descobrir o contato com a terra. Ouros vem aí.
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O naipe de terra evoca paisagens, plantações, fachadas. Reuniões.
Ele exige a projeção das sensações em toda a estrutura, caso contrário ela fica dura, sem vida. Não cumpre a função de “lar, doce lar”. É a posse da propriedade, como no quarto arcano prenunciado pelas fundações, mas antes o coração da família. Copas, ainda.
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É também nítido o conceito artesanal que as cartas proporcionam – a confecção, a customização, o ateliê em casa, os deveres domésticos – que exige os detalhes e a criatividade, naturais dos naipes de Copas e de Espadas.
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Mas que fique claro: nada dentro de uma casa funciona se não houver presença de espírito fluindo a cada porta e corredor. É característica de Paus a energia do ambiente, o fogo que aquece os corações e as relações de moradores e hóspedes. Em cada cantinho um tipo de lembrança, as conversas de outros anos e a paisagem que transmite bem-estar, como um terraço. Só é melhor se for de frente pro mar, com a vista do Pão-de-Açúcar.
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Posses. O senhor das Moedas se alegra com posses. Já foi falado sobre a manutenção – sem dinheiro, sem casa. Por isso ele controla tudo de bom grado. É generoso. O “paizão” do naipe telúrico tem os pés no chão (ou esticados numa confortável espreguiçadeira), e não consegue deixar os investimentos em segundo plano. Inquilino, mas antes dono. O proprietário. Rei.
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Já a esposa permanece nos fundos. Água de Terra, a Rainha é lama, a que deixa os filhos se sujarem –“por que se sujar faz bem”, já diz anúncio. Nada como curtir a varanda ou a estufa. Amor de Mãe (-Terra), que cuida e mantém a beleza do verde.
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A construção e a harmonização dos ambientes nascem da observação da natureza, claro. Assim como os chineses da Escola da Forma, o entendimento do tarô também é uma questão de visão – das cartas, das pessoas, das casas. Imaginação e flexibilidade, pura sintonia com a geografia do imaginário, a cenografia do cotidiano sempre mudando. Construindo conceitos e ampliando resultados, um trabalho que não cabe a quem já caiu da Torre, por exemplo - aquele arquiteto eu dispenso. Enquanto lhes escrevo, tomo café na minha rede, perto das heras. Ah, e vejo que cai uma folha bem próxima à cara do Louco.
Ele exige a projeção das sensações em toda a estrutura, caso contrário ela fica dura, sem vida. Não cumpre a função de “lar, doce lar”. É a posse da propriedade, como no quarto arcano prenunciado pelas fundações, mas antes o coração da família. Copas, ainda.
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É também nítido o conceito artesanal que as cartas proporcionam – a confecção, a customização, o ateliê em casa, os deveres domésticos – que exige os detalhes e a criatividade, naturais dos naipes de Copas e de Espadas.
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Mas que fique claro: nada dentro de uma casa funciona se não houver presença de espírito fluindo a cada porta e corredor. É característica de Paus a energia do ambiente, o fogo que aquece os corações e as relações de moradores e hóspedes. Em cada cantinho um tipo de lembrança, as conversas de outros anos e a paisagem que transmite bem-estar, como um terraço. Só é melhor se for de frente pro mar, com a vista do Pão-de-Açúcar.
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Posses. O senhor das Moedas se alegra com posses. Já foi falado sobre a manutenção – sem dinheiro, sem casa. Por isso ele controla tudo de bom grado. É generoso. O “paizão” do naipe telúrico tem os pés no chão (ou esticados numa confortável espreguiçadeira), e não consegue deixar os investimentos em segundo plano. Inquilino, mas antes dono. O proprietário. Rei.
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Já a esposa permanece nos fundos. Água de Terra, a Rainha é lama, a que deixa os filhos se sujarem –“por que se sujar faz bem”, já diz anúncio. Nada como curtir a varanda ou a estufa. Amor de Mãe (-Terra), que cuida e mantém a beleza do verde.
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A construção e a harmonização dos ambientes nascem da observação da natureza, claro. Assim como os chineses da Escola da Forma, o entendimento do tarô também é uma questão de visão – das cartas, das pessoas, das casas. Imaginação e flexibilidade, pura sintonia com a geografia do imaginário, a cenografia do cotidiano sempre mudando. Construindo conceitos e ampliando resultados, um trabalho que não cabe a quem já caiu da Torre, por exemplo - aquele arquiteto eu dispenso. Enquanto lhes escrevo, tomo café na minha rede, perto das heras. Ah, e vejo que cai uma folha bem próxima à cara do Louco.
Voltem sempre. Vocês já são de casa.
L.
FONTES VISUAIS:
Google Imagens
Taroteca